Literatura, poesia, música e diálogo entre culturas marcaram dois dias de programação que levaram a criação literária ibero-americana a diferentes espaços de Benfica.
Nos dias 14 e 15 de outubro, Benfica foi palco da IV Noite da Literatura Ibero-Americana, uma iniciativa organizada pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e pela Fundação José Saramago, que reuniu escritores, poetas, tradutores e músicos de vários países, numa celebração da literatura e da diversidade cultural.
Sob o lema «A arte de traduzir o mundo», a edição deste ano promoveu a reflexão sobre a tradução não apenas enquanto passagem de uma língua para outra, mas também como forma de aproximação entre culturas, diferentes visões do mundo e experiências humanas.
Ao longo dos dois dias, a programação passou por vários espaços da freguesia, nomeadamente o Palácio Baldaya, o Auditório Carlos Paredes, o Elétrico de Benfica, o Espaço Ulmeiro, a Escola Secundária José Gomes Ferreira e a Escola Superior de Educação da Universidade Politécnica de Lisboa, envolvendo diferentes públicos e aproximando a literatura da comunidade.
No Palácio Baldaya, o programa incluiu O Jardim das Palavras, um recital de poesia em homenagem a António Lobo Antunes, e o encontro Vozes da Narrativa Ibero-Americana: Novas Cartografias da Ficção, dedicado à diversidade e à riqueza da produção literária contemporânea.
O Auditório Carlos Paredes acolheu a sessão inaugural, dedicada ao tema «Literatura e memória: ler o passado, lembrar o presente», seguindo-se momentos que cruzaram a palavra, a música e a performance artística. Entre eles, destacou-se «O Cão das Lágrimas», uma criação inspirada na obra Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago.
A iniciativa chegou também à comunidade educativa, com encontros literários na Escola Secundária José Gomes Ferreira e sessões na Escola Superior de Educação da Universidade Politécnica de Lisboa, onde estiveram em debate questões como a tradução e a criação na era da inteligência artificial, as poéticas da memória e da viagem e as práticas de leitura entre os jovens.
A poesia saiu igualmente dos espaços convencionais e chegou ao Elétrico de Benfica, com a iniciativa Poesia no Elétrico, que proporcionou um encontro entre a palavra, a música e a participação artística.
A IV Noite da Literatura Ibero-Americana voltou, assim, a afirmar a importância dos livros, da leitura e da criação artística como instrumentos de conhecimento, pensamento crítico e aproximação entre povos. A presença da iniciativa em diferentes espaços de Benfica contribuiu para aproximar autores e leitores e para valorizar a freguesia enquanto território de cultura, participação e encontro.
A Junta de Freguesia de Benfica associa-se à valorização de iniciativas que promovem o acesso à cultura, incentivam os hábitos de leitura e reforçam o diálogo entre diferentes línguas, gerações e culturas.